16 de dezembro de 2005

MATERNA 2

Quando se confia um texto nosso para adaptação, seja ao teatro ou cinema, entregamos a coisa um bocadinho nas mãos de Deus. Isto é: seja o que o Dito quiser. Adaptar é transferir para um novo meio aquilo que provém de outro regido por diferentes regras. O que não é fácil.
Mas é também um olhor de um "leitor" sobre o que foi feito e a respectiva filtragem e recontrução da obra original.
A adaptação de José Rui Martins e do Trigo Limpo-ACERT foi uma encantadora surpresa. Conseguiram fazer o SEU espectáculo respeitando escrupulosamente o que tinha sido um livro.
Personagens como Sacha, o-dos-olhos-azuis, ganham uma tridimensionalidade que não deixa de emocionar o antigo leitor. As figuras das meretrizes descolam-se das folhas onde se inscrevia a Túlipa Negra e movem-se, cantam e fazem rir.
O trabalho dos actores é, na sua generalidade, bastante bom. Boas soluções de encenação foram encontradas para uma narrativa inicial muito longa e variadíssima no espaço e no tempo.
Também o trabalho de cenografia é formidável, inaugurando-se o espectáculo com uma cadeia feita de luz e fumo esteticamente formidável.
Chamada de antenção para a música feita por alguns dos nossos melhores músicos e cúmplices da companhia. Entre outros Zeca Medeiros (o realizador de Xailes Negros e músico premiado este ano com o troféu José Afonso) ou Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa...).
Nenhum crítico, que eu visse, se dispôs a percorrer os 300 km desde a capital ou a hora de carro que separa o Porto. Mas espero que ainda o façam, ou perderão um belíssimo espectáculo.
E não falo por mim, que a noite de alegria de ontem foi da companhia teatral e do público convidado.
ps: também é maravilhoso ver esgotar salas de 300 lugares para ver teatro.

14 de dezembro de 2005

MATERNA DOÇURA, a peça

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Estreia amanhã, a versão teatral do meu romance. Uma adaptação a cargo de José Rui Martins e do grupo ACERT - Trigo Limpo, sediado em Tondela.
Para quem mora na região fica o convite para a representação. Os outros terão de esperar pela digressão a efectuar em 2006.
Mais detalhes, aqui.
NOT SMOKE

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Portugal tem no consumo de tabaco um sério problema de saúde pública. Basta aterrar em Lisboa para se começar a sentir o cheiro. Depois avistamos as pessoas, em magotes, correndo para o primeiro sítio permitido e muitas nem isso respeitam. Fazer compras num centro comercial é ter a certeza de sermos obrigados a fumar vários maços. A experiência bem sucedida em vários países de restringir o fumo às zonas descobertas ou do domínio privado, nem sequer é tentada por aqui. É chata, vai contra uma dependência química enraízada e até é capaz de fazer perder alguns votos. Ninguém a vai apoiar publicamente, já que 90% dos jornalistas fumam e os deputados... parecem chaminés.
Dentro de alguns anos estaremos todos a pagar por esta negligência pública. Os contribuintes, com os impostos para pagar o miríade de maleitas associadas. Os fumadores-passivos, com cancros e enfermidades que nem sabem de onde lhes caíram.
Mas vai tudo bem, na terra do deixa-andar.

13 de dezembro de 2005

POR MIM, ABSTENHO-ME
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De volta a casa, vejo que está tudo muito diferente no país: O Malato e a loura continuam inenarráveis, na RTP, o Goucha e a loura não têm explicação, na TVI, a Fátima Lopes e o Donaldim entopem a Sic e por aí fora. Neste caso, nem as moscas mudaram.
Não assisti às eleições autárquicas, por isso só agora descobri que quase todos os arguidos por escandaleiras e corrupções foram eleitos de forma apoteótica. Como diria o Miguel S.Tavares isso só vem provar que cada cidade tem o que merece.
Gostaria de não estar para as presidenciais onde tudo se perfigura para ter um presidente gasolineiro que raramente tem dúvidas, nunca se engana e tem a sensibilidade de um elefante numa loja de louças no que toca às questões sociais.Só se for a poetisa da mulher que ajude à coisa. Desde que ela dedicou um poema ao Herman José, no programa em que este lambeu as botas ao político, que Portugal nunca mais foi o mesmo.
A hipótese B é um velhinho simpático, que já deu o que tinha a dar, entre charutos e aquela descontracção de quem viveu a maior parte da existência confortavelmente. Fez um bom trabalho, no seu jeito decorativo, mas já não há pachorra.

Ao meu lado dorme um gato que nem pensa nestas coisas. Ele é que tem razão. O resto é fogo de artifício. E do baratinho.

12 de dezembro de 2005

HOME

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O meu celular/telemóvel ainda anuncia que estou fora. Mas não é verdade. Já tomei chá sobre o casario de Lisboa. Já o Natal ganhou algum sentido porque embrulhado em frio.
Trouxe comigo desta viagem a memória de tanta terra como muita gente não conseguiu ver. Do Maranhão ao Rio Grande do Sul, os Brasis quase todos avistei.
Esta viagem não teria sido possível sem a ajuda de tantos amigos. E esse foi o presente inesperado e valioso que o destino me deu. É graças a eles que eu reconheço o sotaque do interior da Bahia e sei distinguir um caruru de um acarajé. Ou encontrei o Araguaia das minhas leituras e soube que nas suas margens vivem tracajaras e iguanas. Nem sabia que existiu um dia um presidente mulherengo que teve o sonho de unir o Brasil no centro, no meio do mato, lá onde os pontos se cruzam e a poeira vermelha botou fogo nos olhos dos boiadeiros. Deram-me conhecimentos, amizade e um sentido da hospitalidade que julgava perdido.
Neste regresso a casa o meu coração está com eles: Carlos, Ronaldo, Alaore, Luiz, Jorge, Bárbara, Lélia, André e todos os outros que não tendo aqui o nome ganharam a minha estima e gratidão. Obrigado pelo tapete macio que me lançaram debaixo dos pés.
Sem vocês, nunca teria atravessado o vosso país-continente.

7 de dezembro de 2005

JÁ VOU EM 4 REAIS E VINTE E QUATRO CENTAVOS DE NET
... No momento em que começo a escrever este post. E estou com uma dor de estômago, súbita e persistente. Daí que não dê para fazer balanço desta viagem que amanhã termina fisicamente (a aventura continua, mas agora de forma caseira, diante do computador e no frio português.
Aproveitei para me reconciliar com o Rio, indo a Santa Teresa, vendo os antigos casarões do início do século ( a que muitos cariocas adoram chamar "coloniais", esquecidos por certo da data da indendência do país-irmão - o mesmo tipo de esquecimento que leva colunistas de grandes jornais a incensarem livros escritos por estrangeiros, portadores da tese que D.João VI, a quem o Rio deve quase tudo o que o tornou maravilhoso, num cretino...). Claro que encontrei moradores a comentar que n noite anterior tiveram de se meter debaixo da cama por causa dos tiros. Mas isso é "normal", numa cidade refém da violência e que toma cerveja e fuma maconha até caír. Ou esquecer, o que é o mesmo.
Amanhã regresso ao país de onde saí. E, por uns tempos, não vou ser o mesmo.

5 de dezembro de 2005

iLHA GRANDe

Deixámos para trás as favelas, as histórias de traficantes que se condenam mutuamente à morte, de praias encostadas aos morros carcereiros acusadores. E chega-se ao mar do oeste. A escuna a abarrotar leva música do nordeste dentro. Os gringos deixaram o cérebro para trás. E eu também que o tempo é de pacificar.

E chega a Ilha que vive dos que chegam. E vem o mar e as ondas que misturam conchas e folhas da vegetacão antiga. Daquela que insistem em fazer desaparecer para enfiar campos de soja e dinheiro nos bolsos de fazendeiros e deputados, país fora. A vegetacão que aconchega montes em bico. Montes, não morros. Porque morro se tornou em plataforma de homem com fome. E este mar continua cheio de peixe.


29 de novembro de 2005

RIO

Ao contrário do que o resto do país parece acreditar, o Rio continua lindo.
A baía de Guanabara brilha, azul, os morros desfavelados estão verdes e o povo continua mais bonito que o resto do mundo.
Claro que eu circulo pela zona Sul. Desconfio que a Norte a coisa será menos colorida.
Mas com prudência, ainda podemos deixar cair o queixo de admiração.

23 de novembro de 2005

Bush perdoa perus e os envia em viagem para Disneylândia

Palavras para quê...? É o presidente mais estúpido do mundo, eleito pela maioria dos americanos... (pelo menos os da Flórida)

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WASHINGTON (Reuters) - Foi um sonho tornando-se realidade para Marshmallow e Yam, dois perus sortudos da cidade de Henning, Estado de Minnesota, Estados Unidos.
O presidente do país, George W. Bush, os poupou de se tornarem o prato principal no jantar de Ação de Graças e, para completar, enviou os dois para uma viagem com tudo pago para a Disneylândia.
"Eu sei que Marshmallow e Yam sentirão-se muito bem caminhando pela ensolarada Califórnia e se lembrando dos dias frios em Minnesota", disse Bush ao comparecer a cerimônia anual de perdão ao peru ao lado de seu vice, Dick Cheney.
"A concessão do perdão a um peru não é uma responsabilidade que eu levo na brincadeira", acrescentou Bush.
O presidente acrescentou que os perus foram batizados com seus nomes depois de uma "eleição nacional" no site da Casa Branca. "No final, os eleitores fizeram sua escolha, e foi uma eleição apertada. Vocês podem dizer que foi pescoço a pescoço", disse.
Marshmallow foi designado o peru nacional de Ação de Graças na cerimônia. Já Cheney abriu um largo sorriso enquanto o tratador do peru de 16,8 quilos o colocava em cima da mesa.
Yam, o peru alternativo nacional, foi nomeado apesar de não estar presente. O dia de Ação de Graças ocorre será em 24 de novembro.
Nos últimos 15 anos os perus sortudos o bastante para receber o perdão presidencial eram enviados ao Frying Pan Park, em Virgínia.
Mas Marshmallow e Yam, em vez disso, viajarão para o ensolarado sul da Califórnia e terão uma aposentadoria de estilo na Disneylândia, em Anaheim. Eles terão lugar de honra do desfile de Ação de Graças do parque temático.
"Marshmallow e Yam ficaram um pouco céticos em irem para um lugar chamado Frying Pan Park (em português algo como Parque da Frigideira)", disse Bush. "Eu não os culpo."
O grupo de defesa dos direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), pediu a Bush que não enviasse as aves poupadas ao Frying Pan Park, local em que, segundo o grupo, as aves morrem por negligência ou por más condições de vida.
ESCULHAMBAÇÃO
Creio que também se pode escrever com "o", dada a origem, a minha palavra nova favorita. Não tenho outra melhor para descrever o que meio mundo tenta fazer com o outro meio. Os políticos esculhambam com o povo (que é a gente), os "pastores" e padralhada em geral, esculhamba o povo (e as finanças, já de si depauperadas, do mesmo) e esculhambam o que restam dos nossos neurónios todos os que tentam encontrar explicações para o mundo e formas de ganhar fama, fortuna e felicidade a tempo inteiro. Ora se fossem esculhambar a mãe deles... O que me conduz à minha segunda palavra favorita: Sacanagem.
Mas sacanagem ficará para outro dia...

21 de novembro de 2005

NO FUNDO DO MAPA

Parece mentira, mas cheguei ao fim do Brasil. Do alto do Maranhão, até ao Rio Grande do Sul. A deslizar, aos ésses, pelo mapa abaixo. A descobrir os Brasis.
Desconfio que Porto Alegre vai ser a minhas ruína, com os seus sebos (alfarrabistas) maravilhosos, as praças cheias de árvores e uma variedade gigante de churrascarias. Além das ruas largas para passear.
Está calor (perto de 30 graus). Em Portugal, toda a minha gente bate o dente de frio. Aqui a canícula.
Em cadernos espalhados, um romance que progride em velocidade de cruzeiro. E isso, para mim, não é um detalhe ;)

20 de novembro de 2005

LIVRO DE CRÓNICAS

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Já se encontra distribuido o meu último livro. Crónicas, neste caso, publicadas em vários jornais e revistas. As que me pareceram melhores. Repito, pareceram.
O MEU QUERIDO TITANIC, é isso mesmo, como o nome indica, uma reflexão optimista sobre Portugal e sobre nós próprios.
Mais informações no site da oficina (www.oficinadolivro.pt), favor saltarem tudo o que for flor e irem directos ao livro.
... E 2

"Dentro do envelope estavam as passagens aéreas, bilhetes de ida e de volta, um talão de cheques de vinte folhas tinindo de novo, um álbum de fotografias do casalzinho de namorados, e a série de documentos originais dos quais o banco exigira cópia. Só isso. Um contratempo de lascar! (...) Acenei para um táxi que passava e disse ao motorista a famosa frase do cinema americano: siga aquele carro!, ou melhor, ônibus! E assim fomos até alcançar o coletivo parado no fim de linha de Luís Anselmo, vazio de passageiros.Não, ninguém deixou com eles envelope algum. Não, ninguém viu moça alguma falar de envelope esquecido com ela. Não, ninguém lembrava de uma morena bonita com envelope amarelo e livros nos braços. Entrei no ônibus e constatei que não, não havia nenhum envelope abandonado sobre o banco.
Foi uma manhã difícil, dividida entre providências para obtenção de novas passagens (...)cancelamento e obtenção de novo talão de cheques, e as tarefas típicas de uma manhã em assessoria de imprensa. Lá pelas onze horas recebi um telefonema da gerente da minha agência bancária. Pensei: o talão está pronto.
Não, não era o talão. A bela morena estava lá, na agência, com certo envelope amarelo nas mãos, a procurar por mim. Encontrei-me com a morena meia hora depois. Ambos, felizes, por motivos diferentes. Conferi o conteúdo do envelope. Ela me disse não mexi em nada, está tudo aí, como o senhor... é... você deixou. Quis recompensá-la financeiramente e ela recusou. Na verdade, esticava a conversa e mantinha um sorriso permanente no rosto..."

E paro aqui a transcrição, por razões que a decência, o decoro e sem-vergonhice dos deuses pedem... ;)
SACOLAS 1

Sobre o hábito dos brasileiros ajudarem quem viaja de pé nos "ónibus" carregando os sacos, recebi do meu amigo e escritor Carlos Barbosa um relato. Por questões de espaço, reproduzo apenas alguns excertos,pedindo desde já perdão pela edição apressada.
Sobre a história... se é verdade, não sei. Só sei que foi assim:
"Sexta-feira seria dia dos namorados. Minha namorada morava na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Amanheci a quinta-feira decidido a curtirmos juntos aquela data e um fim de semana especial(...)Durante o dia, adotei providências para aquisição de passagens aéreas, retirada de talão de cheques ? estávamos nos anos 80, do século passado ? e revelação de fotos da última viagem(...) Dei por encerrado o expediente lá pelas 22:00 h. Fui a pé até a estação da Lapa e tomei o ônibus coletivo para minha modesta Vila Laura.Como sempre, viajei em pé no interior de um lotado coletivo, entonado em um absurdo terno para o calor de Salvador.
Foi então que bela morena se ofereceu para levar no colo o gordo envelope que prendia desajeitado debaixo do braço. Era estudante, pelos livros que conduzia. Entreguei o envelope à moça e a imaginação aos prazeres que me aguardavam mais ao Sul na noite seguinte. E assim transcorreu a viagem, a subir e a descer ladeiras, o motor do ônibus reclamando alto do esforço dele exigido para vencer tamanhos aclives. Saí do devaneio ao avistar o mercadinho que marcava meu ponto de descida. Acionei a campainha e me adiantei no corredor, descendo leve e fagueiro tão logo o ônibus parou no ponto.Ao me aproximar do edifício em que residia, lembrei-me do envelope. Meu coração disparou. O envelope havia ficado com a moça no ônibus! Subi a ladeira correndo, aflito. Ao chegar no ponto onde descera ainda pude ver a traseira do ônibus sumindo-se na curva da rua, uns trezentos metros adiante...

19 de novembro de 2005

A IRRELEVÂNCIA

Dos locais onde passo (e que têm tv por cabo, que são tão escassos como o meu orçamento...), das visitas aos jornais da net, chega-me a confirmação do que eu já sabia: Portugal tornou-se irrelevante. As notícias são de caca. Os políticos são de caquinha. Os grandes desígnios nacionais têm a dimensão de um monte de beatas na paragem do eléctrico (enfim... talvez um pouco menos, o exemplo peca por excesso). A nossa europeização trouxe-nos as estradas, as roupas decentes, a subida da escolarização e, claro, o sonho consumista. Mas levou tudo o que tínhamos de interessante. Ou quase tudo, se a comparação for com outros países da mesma Europa moribunda.

OUTRAS COISAS QUE SÃO O MESMO

No Alto Xingu os índios assistem aos jogos de futebol, via antena parabólica. As camisetas da selecção a substituir as pinturas antigas. Mais um esforço da civilização e integrarão o cortejo dos periféricos.

No Pantanal discute-se sobre a instalação de usinas de álcool, poluentes e que trarão consigo as ininterruptas filas de camiões. Em breve não haverá mais animais. Só campos vagamente arborizados ao lado de estradas cada vez mais desertas.

No Balneário Camboriú, Santa Catarina, os mesmos prédios que destruíram o Algarve. Com a diferença que aqui ainda estão a nascer à força toda. E nem esperança de pararem a sua reprodução monstruosa. Se o mar se retirar, ofendido, não estranhem.

Tenho de telefonar para uma das igrejas (dos milhares de...) que negoceiam directamente com Deus e pedir-lhes que perguntem ao Divino por que se dá Ele/a ao trabalho de fazer tudo isto devagar... Não seria melhor fazer aparecer um cilindro gigante que reduzisse a originalidade humana a pó? criar um piso de único de terra batida no Globo?

18 de novembro de 2005

AO SUL

Não sei se foi de ter sido levado logo para o Pântano do Sul. Acordar estremunhado, um autocarro que se adiantou (já de si, estranhíssimo), um café açucarado... os amigos que aparecem ainda de cabelos no ar e nos abraçam. Depois o carro pela estrada verde em direcção ao Sul. Deve ser por tudo isso que os Açores me vieram logo à cabeça. Nas caras das pessoas, no sotaque, no verde que se espalhava pelas colinas. Por todo o lado, marcas toponímicas desse povoamento. E por fim, a baía enorme, perto do local onde as baleias vinham procriar.
Em tempos, imaginei (em O MAR POR CIMA) que existiria um canal, formado por uma corrente secreta, entre duas ilhas. Hoje sei que existe. E liga o arquipélago dos meus anos verdes ao pé descalço do Brasil.
Ainda bem que cá vim.

16 de novembro de 2005

CARAS
Numa sorveteria de Santa Catarina descubro uma revista CARAS. A versão brasileira é tão cretina como a portuguesa. E os repolhos que lá aparecem foram adubados com o mesmo cocó de vaca.
Ana Maria Braga, a apresentadora cantante vinha lá. Estava com um ar quase tão feliz como esta manhã quando contava ao papagaio: "Sabe como se chama um português inteligente?" "Noooummm...", "Turista!. Foi um fartote de riso. Vê-se que não tem viajado pelo Nordeste, nem tem tomado conhecimento do nome do país que mais tem investido no Brasil nos últimos tempos. Enfim, louras. E fora de prazo, ainda por cima. Mas a CARAS gosta.

PS: Um baiano amigo chamaou-me a atençao para a perda de compostura do que acima ficou escrito. Tem razao (nao acho os tils, aqui no Pântano do Sul, deve ser da chva...). Erro meu. Mas a loura e a porra do papagaio abalam os nervos de qualquer um. Quanto mais... nervos de português ;)

11 de novembro de 2005

NIEMEYER EM SÃO PAULO

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Memorial da América Latina-Átrio do Auditório (SP)
PRÉMIO

mesmo à distância, não posso deixar de reproduzir (com as devidas vénias autorais) esta foto, publicada hoje no Público.
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"Um Sadhú (homem-santo indiano) com pasta de sândalo na fronte depois de um banho madrugador no rio Sangam"

E de lhe atribuir, a título pessoal, o prémio A FOTO MAIS ESTÚPIDA E SEM INTERESSE 2005.
Parabéns aos editores pela escolha.

10 de novembro de 2005

COISAS BRASILIS

Levo desta viagem várias lições. Sendo que a primeira é a de que se pode viver uma vida mais generosa.
A Europa está velha. Uma velha senhora que aprendeu com os erros e por isso se tornou um dos locais mais seguros de viver. Sem ter a decadência dos Estados Unidos que nos oferece de bandeja a visão do fim de um império, o nosso continente perdeu algumas qualidades da juventude. A primeira, a possibilidade de se surpreender e maravilhar com o desconhecido. A segunda, a capacidade de acreditar na bondade.
Aqui, no Brasil, tenho sido recebido como um amigo. Por razões que não têm nada a ver com o maior ou menor grau de sucesso do meu trabalho. Apenas porque fui apresentado como um amigo de um amigo. E gostaria de pensar que nessa apresentação ia incluída a expressão "um homem de bem".
Quem em Portugal continua a receber de forma continuada gente desconhecida, apenas porque está de passagem e precisa de dormir ou comer? Quem faz tudo o que pode para ajudar sem pedir nada em troca? Quantos de nós?
Hoje, no autocarro/ónibus uma pessoa sentada voltou a oferecer-se para me segurar no colo a mochila, para que eu viajasse de pé com mais conforto. Quando agradeci, limitou-se a dizer "de nada", quase surpreendida pela minha gratidão. Esta é uma prática comum em todas as terras por onde passei.
Levo desta viagem a certeza de que se pode viver com pouco e ainda partilhar com os outros.
Enquanto europeu, estava a ficar esquecido disto.
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8 de novembro de 2005

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Caros amigos, chamo a atenção para o encontro de amanhã na USP, convite amável do Centro de Estudos Portugueses da referida universidade. Falaremos do meu trabalho, desta viagem pelo Brasil e de tudo o que a informalidade e o interesse sugerirem.
No edifício de Letras, sala 266, 14 h.
ps: Não trazer terno, gravata ou perguntas difíceis, por favor...
EX VOTOS - Salvador (BA)

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NIEMEYER - IGREJA DE SÃO FRANCISCO (BH)
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Sorveteria de Salvador

7 de novembro de 2005

SÃO PAULO
A gente sempre imagina as coisas. Até as cidades. Antecipamos a sua dimensão, a forma dos prédios, a dificuldade em navegar no seu interior.
E no fim, as coisas são sempre diferentes.
S.Paulo também. Surge grande e metropolitana como se pensava. Como Londres ou Paris.
Só que mais quente. Com brasileiros dentro em vez de franceses. O que, sem querer desmerecer mes amis, me parece bem mais interessante.
Em S.Paulo recupero o olhar das minhas personagens em construção. E foi fácil saber onde elas passaram, o que viram e sentiram...

3 de novembro de 2005

OURO PRETO

Uma coisa é certa: os nossos antepassados comuns deveriam ter uns músculos de perna capazes de impor respeito. Ouro Preto edifica-se sobre colinas íngremes. Na verdade, desconfio que as igrejas foram puxadas inteiras lá para cima com cordas, antes de ficarem em equilíbrio durante séculos.
O conjunto monumental é impressionante. Mais uma vez seria difícil encontrar no país-origem igrejas tão bem construídas ou tão ornamentadas. Afinal, nem todo o ouro fez a triangulação histórica em direcção a Inglaterra. Uma boa parte ficou por cá, colada aos altares e à decoração das capelas. E ainda bem.
As estátuas do Aleijadinho impressionam sobretudo pelo olhar. Não é preciso ser vidente para reconstituir o rosto do artista. Ele repete-se imagem após imagem. O mesmo olhar cansado e descrente. A mesma decepção com a vida terrena. Até a pose distorcida de muitas figuras nos remete para o seu autor.
Outro problema de Ouro Preto é a comida: é boa de mais. A comida mineira em todo o seu esplendor. Do feijão tropeiro aos assados, da galinha caipira a... sei lá a quê! A tudo.
Nossa senhora das dietas me proteja.
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1 de novembro de 2005

BELO HORIZONTE

Chegar de autocarro/ónibus tem algumas vantagens. Como as distâncias entre as cidades são medonhas, tudo medido em milhares de quilómetros, o corpo moído pelos buracos das estradas vai-se habituando à paisagem. Acontece que voei de Salvador até à capital de Minas Gerais.
Aí entra a imaginação. A ideia do solo revolto em busca dos minérios tinha criado no meu espírito a ideia de ir encontrar um terra plena de elevações (o que é verdade) mas árida. Despida de vegetação. Ora foi uma surpresa quando o avião se começou a abeirar da terra e o verde das colinas se meteu a cobrir tudo. Chovia, ainda por cima, o que fazia um contraste interessante com o calor da Bahia.
Belo Horizonte faz-me lembrar Lisboa. Talvez seja pelos jardins, ou pela mistura de prédios dos anos 50 com outros acabados de construir. Ou pelas avenidas largas que remetem para a Av. da Liberdade ou para a Fontes Pereira de Melo. Cidade tranquila onde a gente se sente em casa, portanto.
Claro que com a minha perícia na interpretação de mapas ainda não consegui ver grande coisa, ocupado em dar voltas e voltas ao mesmo quarteirão;;;
(suspiro)

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31 de outubro de 2005

CULTURA DESTE LADO DO MAR

Passo a vida a fazer figura de ignorante respondendo à pergunta "Já leu o escritor x". Julgava ter lido alguma coisa de literatura brasileira contemporânea, mas parece que não. São tantos os nomes que só me resta dizer "Nunca li". Verdade seja dita que por aqui, mesmo entre as camadas mais eruditas o desconhecimento é igual. Saramago, Pessoa e Eça estão totalmente integrados no imaginário. Mas Sophia é uma desconhecida fora dos meios universitários, bem como Herberto H. e por aí fora.
Por outro lado, começa a falar-se dos nomes novos da literatura portuguesa, com alguns equívocos pelo meio. Enfim, por algum lado teremos de começar. O que me conduz à pergunta:
O QUE ANDAM A FAZER OS NOSSOS ADIDOS CULTURAIS, EMBAIXADORES, CONSULES E QUEJANDOS? Quer dizer: além de roçarem o cu pelas cadeiras antigas e ganharem uma fortuna, enquanto um país inteiro se mantém convencido que Portugal é um país de idiotas, prepotentes e provincianos. Mas essa questão por ser demasiado séria e irritante ficará para um post... posterior.

27 de outubro de 2005

SÃO SALVADOR
"A terra de nosso senhor, nosso senhor de bonfim... Bahia oooohh...."

O autocarro cheirava um bocado mal. Mas quem me mandou escolher o lugar 37, junto à casa de banho, onde ninguém deveria defecar. Na madrugada, quando o corpo doído da tentativa de imaginar uma cama num assento duplo já se repousou, chega-se no terminal moderno.
Quem chega do interior é como se chegasse da dor: temos vontade de nos lavarmos no mar, na alegria musical, na perfeição física que nos espanta.
A estátua de Castro Alves, o poeta, espreita a água lá embaixo, não longe da encosta que os portugueses galgaram e mais tarde se encheu de putaria. E de putaria esteve o Pelourinho cheio, a zona central que inspirou Jorge Amado. Por todo o lado se avistam as páginas lidas: Jubiabá virou stand de automóveis, Gabriela é nome de cachaça com mel e canela, Teresa Batista e Pedro Archanjo são ruas onde a música explode a toque de percursões várias.
Mesmo trazendo o estigma da nacionalidade invasora fazem-nos sentir em casa. Mulatas e negras lindas nascem da calçada que mudou de nome, enquanto os "negões" se chegam às turistas brancas, muitas louras, e quem sabe onde a noite irá parar.
Chega-se a Salvador e percebe-se por que todos os lugares estão cantados. "Naararamm em Itapuã...".

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22 de outubro de 2005

DICIONÁRIO

Quando se viaja pelo Brasil, há palavras que convém saber.

MURIÇOCA: coisa irritante que vem não se sabe de onde e nos tira o que nos faz falta. O mesmo que mosquito.
MOLEQUE: o mesmo que muriçoca: PÉ DE... Coisa que no Brasil se come.
CORAL: animal que não se deve pisar.
CASCAVÉL: o mesmo que Coral, mas mais discreta, com excepção do guizo (TSSSSSSSSSsssss)
POLÍTICO: Muriçoca que gostaria de ser Coral. Pessoa mais cara de subornar que um polícia de trânsito. (ver "Mensalão").
POVO: local onde o político coloca o pé para não ser picado pela honestidade.
O BLOGUE

Enquanto faço as intermináveis viagens de "ónibus", neste país-continente, ou atravesso de balsa um rio onde os turistas se esqueceram de ir, penso como gostaria de ir partilhando isso com os leitores do Prazer_Inculto.
Mas depois o tempo falta. E os cyber-cafés encontram-se frequentemente fora de mão.
Vai-se fazendo o que se pode.
CHAPADA DIAMANTINA
Há poucos locais na terra assim tão interessantes. O desenho rectangular das montanhas, a lembrar os canyons americanos (mas em verde), as florestas e os rios que pedem que se cruzem para cá e para lá. As cachoeiras que surgem no final dos percursos difíceis e lavam todo o esforço.
Ainda bem que a tv só fala no Rio e na violência do Brasil. Mais sobra para quem se faz à estrada e descobre que a beleza tem muitas formas.
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17 de outubro de 2005

VALE DA LUA

Quando achamos que já vimos tudo, descobrimos o Vale da Lua. Ou, dezenas de horas de autocarro depois, a Chapada Diamantina. E aí, a surpresa, recomeça.

7 de outubro de 2005

MILHARES DE QUILÓMETROS DEPOIS
Para quem chega de mochila às costas, as sandálias ainda com restos de lama do rio Tapajós e os olhos cheios das dificuldades do povo do nordeste, das histórias dos caboclos que vivem com e da floresta, Brasília impressiona.
Avenidas largas numa cidade desenhada em forma de asa de avião, cortada a meio pela fuselagem. O projecto do presidente Juscelino, em finais dos anos 50 transformado pela mão de grandes arquitectos numa maravilhosa metrópole. Por algum tempo descanso do esforço de atravessar um país com tanta beleza como problemas sociais, um povo gentil na sua grande maioria atormentado, noutros lugares pela insegurança e pelas consequências da pobreza terceiro mundista.
Pouco desse Brasil se vê nesta Brasília exaltante de edifícios e civilidade.
Sento-me no interior dos vitrais azuis do Santuário Dom Bosco e respiro antes de voltar a pôr a mochila às costas.
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22 de setembro de 2005

TERRA BRASILIS

Nos próximos meses é deste lado do mar que vou escrever.
Começo por São Luiz, no estado do Maranhão.
Eta terra mai porreta!
A arquitectura é uma maravilhosa reminiscência de um tempo que não foi em tanta coisa maravilhoso, os séculos XVIII e XIV. Casarões altos, pintados de azul claro, vermelho, branco, naquelas combinações de cor que só existem deste lado.
E o mar (que não experimentei- ainda comido pelo jet lag e pelo calor gigante) azul e verde ao mesmo tempo.
Mas o mais surpreendente de tudo, para mim, é a descoberta de que me encontro numa feira gigante. São milhares, as lojas e bancas que vendem tudo o que o povo gosta. Com muita música e altifalantes que gritam, com voz abafada, de dentro das lojas: "Aproveitem, que Dona Graciela deu ordem de baixar tudo!".

19 de setembro de 2005

SENSO COMUM

Parece mentira, mas esta semana concordei duas vezes com o que escreveu o João Pereira Coutinho no "Expresso". Nomeadamente no artigo em que se manifesta (por uma vez, benza-o Deus!) de forma sensata sobre a forma como a "homossexualidade" é tratada, hoje, em Portugal.
Num mês em que tivemos ao mesmo tempo, grupos de ignorantes, a apelarem ao ódio contra tudo o que não invista contra as mulheres (a não ser outras mulheres) e um bando de araras a dar o espectáculo patético da sua ignorância, enquanto vestem (com um gosto de fugir, na minha modesta opinião) uns bezerros condescentes, J.Pereira Coutinho vem lembrar que não há mérito nenhum na orientação sexual. Que existem pessoas. Que o sexo é amoral. Que sempre foi e tudo o que se possa elaborar à volta não passará de adjectivação.
Isto é do senso comum, claro. Mas nem por isso menos importante de ser lembrado.

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18 de setembro de 2005

VIDEORUN 2

Estou a ficar velho para isto,lol!
48 horas depois, um filme melo-melo (lol!), formalmente dos anos 70, aqui estou para testemunhar que estou vivo.
O resto dos participantes também, quanto aos filmes, ainda não vi: o júri está lá dentro. É a vez deles.
O divertimento foi nosso.

16 de setembro de 2005

VIDEORUN

48 horas para fazer um filme.
É mais uma (a 3ª) das maratonas organizadas pela Restart, escola de novas tecnologias.
18 equipas a competir para 3 prémios, mas sobretudo juntas pelo acto de criar. E divertir-se.
E a provar que é possível fazer um filme sem meios financeiros e num tempo de captação e montagem... ridículo.
:) Lá estaremos, pelo gozo.

11 de setembro de 2005

LIVRO DE CRÓNICAS

A pedido de muitas famílias resolvi reunir, rever e publicar as principais crónicas bem como alguns textos que saíram na Imprensa nos últimos anos.
Hesitei durante muito tempo. As crónicas têm por natureza um carácter de tal maneira ancorado no quotidiano que muitas vezes ficam datadas, ao ser lidas mais tarde.
Escolhi entre dezenas delas. As que me pareceram mais intemporais e ao mesmo tempo, mais emocionadas ou irónicas. Penso que talvez façam sentido e ajudem outras pessoas no processo de reflectir sobre as nossas vidas, neste país pequenino, que amamos apesar dele.
A sair lá para o fim do ano, passo a publicidade.

8 de setembro de 2005

ELEIÇÕES ANTARTICAS

É formidável tropeçar nos debates para as autárquicas. Políticos apelam ao coração dos votantes dizendo nomes de freguesias com que até há pouco tempo nem sonhavam, locais que nem sabiam existir do lado de lá da autoestrada.
Tudo muito sério, a fingir que vão mesmo mudar alguma coisa.
Esta classe política pode contar desde já com... a minha abstenção.
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7 de setembro de 2005

EDUCAÇÃO

Se ainda houvesse alguma dúvida sobre o tipo de formação que estamos a dar ao ppl mais novo, bastaria ver a última campanha da TMN para ficar esclarecido:
"KRAVA"- Se não tiveres dinheiro para chamada crava uma ao destinatário...

Já o Sapo messenger, diz "Passa a vida a curtir com os teus amigos...".

:) Ainda bem que o país está rico e que as novas gerações não vão ter de mexer uma palha para sobreviver. Ufa! Olha se fosse como no resto do mundo onde quem não trabalha não come...

4 de setembro de 2005

HARRY POTTER E O PRÍNCIPE MEIO-SANGUE

Por imperativos familiares (digamos assim) lá tive de enfrentar as mais de 600 páginas em inglês do último livro da J.K.Rowlings. Isto já me tinha acontecido antes (o que faz de mim, o único escritor português que, não só não leu o Proust aos 12 anos - ao contrário de tantos e tantos intelectuais portugueses - como ainda leu os 6 volumes da colecção.
Confesso que desta vez me custou mais começar, já que o último (A ORDEM DA FÉNIX) era tão grande como fraquinho, mas, para meu espanto e alívio, a autora recuperou a mão.
Tolos os que desprezarem as capacidades de escrita e de mimetismo com os seus leitores que crescem, livro após livro. Ela vende, porque é boa no que faz. Ponto.
Para os tios e pais que quiserem fazer um brilharete junto da miudagem, adianto que o Ron e a Hermione se entendem, finalmente, o irmão Bill, caçador de dragões fica com a cara num frangalho. E, mais importante do que tudo, DUMBLEDORE MORRE ÀS MÃOS DE SNAPE (esse canalha de cabelo seboso, raios o partam!). Hogwarts deverá fechar, mas o solitário Harry não se importa porque no último livro terá de enfrentar definitivamente Aquele-Que-Não-Se-Pode-Dizer-O-Nome.
Boa sorte com as novidades ;)
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LIVROS

Pode ser de estar em vésperas de viagem. E de poder ser como as grávidas que só nessa altura é que reparam que o mundo está cheio de carrinhos de bebé... Mas só agora li o volume que compila as crónicas que Gonçalo Cadilhe publicou no Expresso. Juntou-as sob o título de PLANISFÉRIO PESSOAL. E é disso mesmo que se trata. Se um percurso de escolhas pessoais; o que quer ver e o que não lhe interessa; afastar-se do turismo de massas em busca do que resta de autêntico num mundo cada vez mais igual. Divertido, inteligente e profundamente humano.
Ao longo de 250 páginas, Gonçalo Cadilhe lembra-nos que o nosso lugar no globo é humilde; que há injustiça por todo lado; que o país onde pertence é pequenino e frequentemente mesquinho e que mesmo assim se sente a falta dele.
Um livro pessoal, muito bem escrito (repito, numa altura em que tanto lixo se publica sob a forma de relato de viagem: muito bem escrito!).
A não perder.

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BLINDNESS

Muito interessante a adaptação de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, pelo Bando, a partir do romance de Saramago.
Fiel ao espírito do livro e ao texto, a encenação relembra a força do trabalho do escritor.
A escolha da música também é muito boa, "cinematográfica" na forma como pontua todo o espectáculo, fraqueja apenas no final, grandiloquente de mais, contrastando com o trabalho anterior.
A cenografia é das mais engenhosas que se tem visto nos últimos tempos, por cá.
A segunda parte do espectáculo é mais desiquilibrada, mas ainda assim, bastante interessante.
A ver. Num tempo onde a cegueira ainda persiste...
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24 de agosto de 2005

CASA
Já estiveram dentro de uma onde é preciso fechar todas as portas e janelas para que o fumo que cobre toda a região envolvente não entre? Venho agora de lá.
Também subi ao cimo de serras, onde 5 ou 6 incêndios tinham deflagrada ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. No centro do país, os bombeiros já sabem: 2h da tarde é hora de pôr o capacete e começar a apagar umas das várias frentes do fogo que vai rebentar. Mão criminosa, sim. Por todas as razões.

19 de agosto de 2005

A FÁBRICA DE TIM BURTON

Conheço poucos realizadores que peguem em géneros marcados e os transformem, como o Tim Burton. "Char. e a Fábrica de Chocolate" é uma adaptação formidável do célebre livro infantil. O mundo onírico a roçar o delírio. E a crueldade habitual a levar putos insuportáveis para o merecido destino.
Claro que o melhor de tudo são os números musicais dos Umpa-Lumpa, mas isso não é novidade: o que se poderia esperar de pessoas que sobreviveram aos terríveis animais da sua terra construindo casulos nas árvores?!

18 de agosto de 2005

A NORTE

Sabemos pouco do Norte, os que vivemos a Sul. As televisões ignoram-no, os jornais afloram o que por lá se faz. É por isso, sempre com emoção que subimos acima de Guarda, que se mergulha em território transmontano. Se sobrevivermos aos Ips, entramos em estradas sinuosas, ladeadas de montes altos, serras, montanha. A terra a retalhar-se em socalcos cobertos de vinha. Em baixo, muito em baixo, o rio. O Cávado, o Douro... e os outros todos de que lembramos os nomes apenas dos livros escolares.
As cidades cresceram desmesuradamente, descaracterizando-se tanto como a Sul. Pressuponho que as populações vivam melhor do que antes, no meio de tantas casas e ruas. Na verdade vi por todo o lado "Centros de Cultura", falta-me saber se com programação regular, mas acredito que sim.
O povo é afável e pronto a ajudar nas direcções: "Estás a ver a Sá Carneiro?! (não, não estava...) Vais por ela adiante, chegas lá à frente e viras para a Bouça...". Na mesa, a carne. A posta. Mirandesa ou de outro lado qualquer. Já para os legumes, só na sopa, benza-os deus. E tantos que por lá se avistam, luxuriando-se nas hortas, junto aos caminhos.
Sabemos pouco do Norte, aqui, no Sul. Mas bem-haja a renovada descoberta que fazemos em cada viagem.

5 de agosto de 2005

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O SALTO À VARA

Com os campeonatos de Helsínquia a começar, não percebo porque anda tanta gente admirada com a nomeação de Armando Vara para director geral da Caixa G. Depósitos.
Ele é a prova que a universidade não faz falta nenhuma. Basta tirar o 12º, entrar na política e um dia tem-se os economistas mais laureados a fazer vénias à passagem.
ps: depois da nomeação de uma criatura com as capacidades de Celeste Cardona, pelo anterior executivo, já nada me surpreende.
ps2: a não ser, talvez, um grilo que aprendesse a escrever argumentos... Bah, deliro! É do calor.
LISBOA

O menú para hoje, na capital é assado no forno.
E os frangos que se contorcem no calor... somos nós.
Hilfe!

4 de agosto de 2005

O ANO DO BRASIL

Sabia que este seria o ano dele. Não sei como sabia, mas estas coisas são mesmo assim.
Parto no início de Setembro para percorrer esse enorme país de Norte a Sul. Pelas trilhas antigas, longe dos Maceiós e dos Portos Galinhas. Regressarei vários meses depois.
Pela primeira vez, desde que fui atrás do Sacha até França, aquando da MATERNA DOÇURA, não sei o que vou à procura. Na verdade, para ser honesto, vou tentar ver o que as minhas personagens já viram e não me querem dizer.
Se eu não sobreviver às viagens de barco com as populações da região Amazónica ou desaparecer algures perto de Ouro Preto... fiquem a saber que foi um prazer, este convívio de 3 anos de blogue.
Um Prazer_Inculto.
Lol! ;)

2 de agosto de 2005

ESCRITORES

Hoje convidei vários amigos escritores a colaborarem no blogue. Espero que eles o façam de vez em quando, pois além de serem bons na literatura, são boa gente.
E há poucos. Bons escritores e boa gente.
Num café de Lisboa vejo uma tapeçaria do Eça (não, não foi no falso Hotel Bragança que a câmara de Lisboa queria comprar por engano...). Penso que a maior parte da sua obra foi publicada muito perto da data da sua obra. Sobretudo após. O Eça está bem para Portugal porque está morto. Pode-se fechar o livro quando incomodar. E, com aquela linguagem... Vê-se logo que aquilo tudo só se podia passar no século XIX!

1 de agosto de 2005

CHATO, TANTAS MORTES NO IRAQUE!

"Os 2130 acidentes rodoviários registados pela Brigada de Trânsito da GNR na última semana causaram a morte de 19 pessoas. Outras 70 ficaram feridas com gravidade", in PUBLICO

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JORNADAS DA COVILHÃ

Por razões de agenda não me foi possível estar presente nos encontros literários da Covilhã. Parece-me, contudo, sempre boa ideia juntar escritores, estudiosos e público no mesmo espaço.
Entre outras conclusões, foi possível ouvir de Agustina: "como é o meu direito de mulher, já mudei muito; simplifiquei, tornei-me mais infantil». «Nasci adulta e morrerei criança, sempre voltada para o futuro».
Acrescentar o quê?

30 de julho de 2005

FÓRUM LISBOA

Aparentemente a Assembleia Municipal tentou fazer passar a "lei" que lhes permitiria dispor do Fórum Lisboa para seu uso exclusivo. Santana terá sido detido pela recusa da vereadora da cultura, M.Pinto Barbosa, que lembrou que estando o S.Jorge "em obras" (por assim dizer...) e estando firmados compromissos com diversos festivais e outras iniciativas, não seria uma boa ideia.
A coisa parece que ficou suspensa, por agora.
Relembro o agastamento dos membros da Assembleia, aquando da realização do Indie Lisboa (mais de 15.000 espectadores...) em serem "incomodados" no seu território. A organização teve de desmontar quase tudo, apagar os vestígios de que estava a acontecer um festival (interrompido um dia inteiro por causa destas aves raras) para que eles não "se perturbassem". Isto, num CINEMA PÚBLICO! Lá deixaram os motoristas dos mercedes e bmws (pagos com o nosso dinheiro, carros e motoristas) à espera, enquanto eles fingiam trabalho útil.
Agora voltam à carga. Tomar posse de um cinema com 400 lugares, além de várias salas e auditórios para se reunirem de vez em quanto.
Ao que pode chegar a prepotência e a pouca vergonha...

29 de julho de 2005

GOD BLESS STUPIDITY

Quando a direita está no poder em portugal (sim, com minúscula) além de termos de aturar o Nuno Rogeiro e o camarada Delgado, ainda levamos com o mito de que a América é o top da civilização. Custava-me a perceber de onde viria esta ideia. Agora já sei...

28 de julho de 2005

EM CHAMAS

Regresso da zona da Sertã, onde a família se viu a braços com um incêndio. Rodeados pelas chamas lutaram toda a noite para salvar a casa. Da estrada, os mirones e os bombeiros viam arder. "Desenrasquem-se que nós vamos para...", diziam do carro-tanque, a toda a brida, enquanto o fumo e o barulho do monstro cobriam o local. Nada de novo para as gentes do Pinhal. Agora olha-se para uma zona verde sabendo-se de antemão que mais ano menos ano alguém a terá mandado incendiar.
Está tudo negro e a cheirar a queimado no local onde ainda há pouco passeava com o cão. Já não há "mina" de água, nem raposas, coelhos ou pássaros. Algures no país haverá um madeireiro um pouco mais contente.
Os bombeiros, esses, passam pelas estradas, gritando Tinóni, Tinóni...
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24 de julho de 2005

BOMBING

Por todo o lado o cheiro dos explosivos. Em Londres, no Iraque... Ontem, em Sharm-El_Sheik. Para os que leram o B. and Mortimer o nome não será desconhecido. Para os que puderam mergulhar nos mares em frente à costa árida e rochosa ainda menos. Paredes verticais descem a pique, iluminadas por gorgónias e corais cérebro. Aqui e ali, as gigantescas e quase extintas esponjas crescem em tubo para a imagem da superfície. Com sorte, um tubarão-baleia passará como um navio por nós. Foi contra esta contemplação do mundo que os terroristas atacaram. Alguns julgam ir para o paraíso ao levarem consigo as vidas dos que trabalharam durante o ano inteiro para para ali chegar. Por mim, espero que vão todos ao encontro das 11000 virgens. De preferência, muito em breve.

ps: quantos egípcios ficarão sem trabalho com o medo provocado pelos atentados?
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22 de julho de 2005

CRÓNICAS DE SANTIAGO

Sem cedilhas e com poucos acentos...
A cidade cá está, flutuando na pedra. Peregrinos vejo poucos, mas muitos sao os que entram na catedral vestidos com filhos e sogras para tocar na cabeca do santo e ver de perto o altar-mor.
Santiago é a leveza e a pedra, o espírito dos que chegam e o bom acolhimento dos que cá estao.
Come-se o pulpo e os pimentos de padron, empurrados com Mencia ou Riojas... E fala-se. Muito. Na língua que nos atira para o cancioneiro e que lembra diariamente a Castela que a periferia nao pode ser um defeito de nascimento.
Em Santiago reencontra-se o melhor de cada português. Falo por mim.

15 de julho de 2005

ESTA SEXTA-FEIRA HOUVE GREVE

calhou bem, que o fim-de-semana está bom para a praia e anda muito funcionário em stress...

E AOS POLÍCIAS APETECE-LHES CORTAR PONTES...

Antes isso que cabeças nas esquadras... Por outro lado... sempre tinham mais prática.
DESISTIR É QUE ESTÁ A DAR

Conselho: vão à PT e peçam para rescindir o contrato do telefone.
Eles ligam-nos logo, para o telemóvel, oferecendo 50% de desconto no aluguer + chamadas grátis, entre muitas outras benesses, se mudarmos de ideias.
Estes administradores a 5000 contos por mês são mesmo nossos amigos :)
THE HALF BLOOD POPE

O ex-cardeal Rat-Singer (actual Pepino XVI ou lá que raio de nome é que se lembrou...) acha que as aventuras do amigo Potter pervertem o espírito do cristianismo no sentido em que ele o entende.
Fico mais descansado. Estava com medo de andar a comprar alguma coisa perniciosa para a família.
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14 de julho de 2005

APAGUEI UM POST

porque não valia a pena. Quem é que em Portugal liga ao tráfico de influências? Como é que se prova, quando os governantes se escudam nas respostas dos assessores? Como é que se distingue entre o voluntarismo de um secretário de estado e o cumprimento (interpretativo) da lei?
E, sobretudo, quanto vale um lobby, no reino da luta pelos centavos?
Apaguei um post, porque não vale a pena.
Portugal está a deixar de valer a pena.

ps: vêm-me à cabeça as palavras de Agostinho da Silva: "Estou agradecido a Portugal por me ter mandado embora. Se não fosse isso eu não teria conhecido o que conheci ou aprendido o que aprendi".

12 de julho de 2005

BRASIL 3

No aeroporto de Lisboa, Catarina Furtado recebe-nos com uma altivez estudada, no cartaz publicitário. Ao lado, um outro produto, uma outra cara que não sorri.
Não sei como, mas tornámo-nos num país de arrogantes.
Numa pequenina bosta, de forma rectangular, que fecha fronteiras e se imagina importante por ter as moscas a voar em volta.
É só empurrar as malas até às Partidas, onde os taxistas não nos batem nem nos insultam, e estamos quase em casa.
Em casa, para partir.
BRASIL 2

Por toda a parte junto ao mar, lagoas e dunas o povo faz pela vida. "Quer espetinho? Refrigerante? Fazer aerobunda...? Não há melhor: tente que vai querer repetir".
Os homens movem-se por saberem que se pararem vem a miséria. De cima não virá nada, quanto muito notícias de um novo mensalão. O povão tem de ganhar o seu próprio feijão.
Por todo o lado o país enorme, a denunciar um potencial que por aqui nem se sonha.
"Já tentou a esquibunda? Olhe que vai gostar!".
Tieta passeia-se de mão dada com o fantasma de Jorge Amado. Em baixo, o mar verde.
BRASIL 1

Olham-se os primeiros coqueiros com a mesma alegria que o Pero Vaz de Caminha sentiu.
O vento sopra mas o ar é doce. Não estamos em casa e contudo abrimos o peito como quem chegasse a porto seguro.

2 de julho de 2005

MUITA TRABALHEIRA...
alegrias e aprendizagem com os processos e pessoas...
FÉRIAS :)))))

29 de junho de 2005

O ÚLTIMO ESPECTÁCULO

Hoje e amanhã são os dois últimos espectáculos da peça. Tudo chega ao fim.
Foi levantada do nada apenas pela vontade; primeiro a minha e depois dos que aceitaram puxar as cordas, os olhos no céu e o padrão que se ergue em contrapicado.
Um anónimo, depois de ir encher a mula na estreia, foi para casa e escreveu-me um hate-mail. Não lhe pude responder, por ser anónimo, teria preferido que expressasse a sua opinião ao vivo e em directo, ou pelo menos que tivesse a coragem de assinar. Antecipava, ele/ela, com gozo de que os actores representariam quase sempre para um público reduzido. Não se enganou de todo, houve dias muito fracos. Noites em que as pessoas preferiram as pipocas do Optimus Open Air, ou algum programa fácil na televisão. O que não sabe é que as pessoas têm todo o direito a ir ou a não ir ao teatro. E que nem me admira que não vão em massa. Os portugueses imaginam-se incapazes de produzir alguma coisa de interessante; não confiam em si, nem nos outros. Preferem a banalidade de uma cópia de Hollywood a uma comédia portuesa, contemporânea, que lhes dê mais do que o esquecimento. Sim, há bluff por todo lado, sobretudo apoiado pelos dinheiros públicos. Mas nem tudo é bluff. Nem tudo é exercício para o umbigo ou para os 2 neurónios.
Temos é de fazer o que não nos ensinam na escola: a escolher; a distinguir o bom do mau.

28 de junho de 2005

A CARTEIRA

...toca sempre duas vezes, no nosso prédio. Hoje trazia um ror de cartas registadas para vizinhança. Ameaças das Finanças, multas e coisas do género. Só por aqui mora a classe média, mais ou menos artística, mais ou menos de profissão comum. Não temos políticos, nem dirigentes de clubes, nem empreiteiros.
É por isso que a senhora carteira toca à nossa campaínha. No país em que tudo apela à desonestidade como forma de se estar tranquilo.

27 de junho de 2005

O CICLO FECHADO

Li que a administração Busha mandou banir mais 400 títulos das bibliotecas. A desculpa era terem cenas de sexo e violência. Prevê-se que o número de livros proibidos aumente nos próximos tempos.
E eu prevejo que a palhaçada portuguesa, mesmo sem os meninos de portas nos tachos governamentais (estão agora enfiados noutros, claro) não tardará a fazer o mesmo por cá.
Minerva nos dê paciência para atravessar as trevas.
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O SONHO CAVAQUISTA

A pouco tempo de termos como primeira-dama, a poetisa de Boliqueime, percebo que o sonho do marido de um Portugal em que o dinheiro fosse o motor e a causa da felicidade se concretizou.
No centro comercial duas miúdas brincam. Uma diz à outra: "X... Não fujas! Olha... Assim já não te COMPRO NADA". Onde é que foi parar a frase "Assim, já não sou tua amiga!"?

24 de junho de 2005

SESSÃO CONTÍNUA
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Na rua, em baixo, desde ontem, um camião suga sabe-deus-o-quê de uma boca de esgoto.
O trânsito arrasta-se, aumentando o ruído e um barulho monótono, contínuo, que mete os nervos dos gatos da casa em franja, não se cala.
É certo que o país tem muita porcaria para retirar do seu interior... Mas tanta?!!!

23 de junho de 2005

CADEAU BONUS!!! OU PUBLICIDADE DESENCAPOTADA.

Raios me partam se não tinha vontade de fazer isto há anos:

Oferta visitantes do prazer_inculto. Só para esta semana, a penúltima desta série de representações, oferecemos 50% de redução no preço do bilhete de A CIBERNÉTICA.
Para hoje, 5a, amanhã 6a e sábado. 50%.
Basta reservarem (relembro que o número de lugares é reduzido... já para evitar chatices) para o 963950010. Têm é de dizer "Prazer Inculto". Isto vai perturbar o Nuno Martins da produção, mas permitirá assistir à peça, durante estes dias, por metade do preço. Pode ser por escrito, sms, com o vosso nome e do vosso acompanhante. Dois por pessoa. Só para nós :)

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(Espaço Atmosferas, rua da Boavista, 67, em Lisboa - rua do final do Elevador da Bica, em baixo, ou do Belêza- 22 horas)

LOL. Pronto, está feito!
A BANCA

Jorge Sampaio atreveu-se a insinuar que os banqueiros portugueses não tinham um pingo de interesse no progresso do país. Que preferiam o lucro fácil e imediato à mudança que necessita da sustentação financeira de vários.
Ora basta ver os lucros dos bancos privados, os milhões que os filhinhos torram em festas e carros de luxo para se perceber que o nosso presidente não tem razão nenhuma.
É tudo boa gente. Nalguns casos, até Santa!
Pax in argenta (latim selvagem)
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POLÍCIAS

Vi-me, ontem, entalado na rua da Boavista, em Lisboa, entre milhares de polícias e guardas. O que nunca é divertido.
Primeiro que tudo, não sabia que eram tantos. Como continuamos todos a ter medo de andar de noite por certas zonas da cidade, depreendia que não havia pessoal. Afinal, há. Estão é no parlapié nas esquadras. A ver se chega a hora de ir para casa, que é onde se está bem e não se corre riscos.
Milhares de homens (algumas mulheres) gritavam ao som do futebolístico "CAMPEÃO! CAMPEÃO... CAMPEÃO É CAMPEÃO... LSB... LSB... etc", que é uma coisa que se tem ouvido nos últimos tempos. Mudaram foi a letra para "GATUNO! ÉS GATUNO..."... Foi bonito.
A horda dividia-se também na atitude, os mais novos iam em normal protesto. Os mais velhos agrediam a rua com os gritos. De vez em quando, pareceu-me ouvir mesmo alguns "Filho da Puta...". mas deve ter sido impressão minha, tratando-se de forças da ordem tão ordeiras que mesmo quando há gente decepada ou enforcada nas esquadras, nada aconteceu...
Sócrates propôs-se reduzir a despesa pública através da redução de privilégios. Obviamente que todas as corporações onde tocar se vão torcer. Os polícias querem manter um sistema de saúde privado particular, pago por todos nós, para si, família, ex-mulheres, filhos que já não moram com eles, etc. Acho bem. Pressuponho que os militares também quererão a mesma coisa. E todos os outros de quem nós não sabemos. Fazem bem em querer manter as benesses. Eu também gostaria. Se não fosse um dos que se limita a pagar, a pagar, a pagar, recebendo pouco em troca. Como a maioria, aliás.
Venham a próxima greve e manifestação. Diz a História da política portuguesa que os governos recuam sempre. É preciso é apertá-los com os lobbies.

21 de junho de 2005

ESTAR MORTO É O CONTRÁRIO

É bonito ver o frenesim das discussões sobre feriados nacionais e nomes de rua, sempre que morre um escritor ou um pensador em sentido lato. As presidências excitam-se, as câmaras e juntas de freguesia batem no peito com orgulho. E não tarda nada que não surja uma rua dos subúrbios com o nome do falecido.
Há quem diga que os portugueses não acarinham os seus criadores. É falso. Não têm é pressa...
O VERÃO

Os gatos espalham-se pela casa. Sobem escadas, enfiam-se em armários, apreciam - por uma vez - a banheira, em busca do Lugar Fresco. O paraíso dos bichos com pele.
Os gatos aborrecem-se com o Verão. Não é por acaso que se lhe chama "canícula".
Se me encontrarem enroscado por debaixo do lavatório, ao lado dos felinos, não se admirem.

20 de junho de 2005

PROFESSORES
Não sei em pormenor as razões da greve. Fiquei com a ideia que este Ministério teria avançado com uma série de propostas mais polémicas como estratégia negocial. Por exemplo, afirmam que não faz sentido um professor dar formação fora do seu horário lectivo, o que seria uma coisa ridícula porque implicaria entre outros aspectos que os secretários de estado e os deputados não usassem os telefones dos gabinetes ou o tempo em que lá se encontram para tratarem dos seus negócios e processos pendentes dos seus escritórios de advocacia, o que nunca se viu. Enfim, pareceu-me mais moeda de troca que outra coisa.
Os últimos governos têm elegido como alvo os professores (leia-se do ensino básico e secundário porque no superior - que é onde eles ganham a vida - nunca tocam...) e principal razão do desiquilíbrio financeiro e desnorte de prioridades do M. da Educação. Basta entrar numa escola para perceber que isto não faz sentido. Primeiro, há muitos outros funcionários além dos docentes. A maioria bastante improdutiva, para não dizer contraproducente, por sinal. Vão desde a vigilância e (falta de) limpeza às secretarias, etc, etc. Toda essa gente custa dinheiro. Muita é supranumerária.
Depois, tem havido um esforço gigantesco das associações de pais com o beneplácito eleitoral dos governos para acabar com as férias dos professores. Reduzi-las ao mínimo, ao mês de Agosto, quanto muito. Sobre este assunto proponho apenas aos pais esta imagem: pensem que organizavam festas de aniversário para 20 ou 30 crianças, várias vezes ao dia, durante toda a semana. Agora multipliquem isso por 10 meses. No fim, talvez percebam, como eu percebo, por que razão é necessário dar espaço à recuperação dos professores. E, não, não acho que a escola seja um depósito de crianças e adolescentes em delírio. É preciso manter os meninos fora da rua, enquanto os pais trabalham, mas aumentar o horário dos professores para essa tarefa é capaz de não ser solução.
Não sei se os professores têm toda a razão para fazerem greve, mas duvido que sejam a principal causa dos males da educação.

17 de junho de 2005

O STRESS

Houve um tempo em que quando me ligavam em stress à sexta-feira, a minha calma se perdia.
Acreditava que se aquela pessoa estava irritada comigo era mesmo porque eu tinha feito alguma coisa de errado. Mesmo se depois da reflexão não via razão para tal, ainda assim me penalizava.
Depois descobri que são quase sempre os mesmos a tomarem-se de ira ao fim-de-semana. Quase sempre antes de irem para casa para um casamento que já deu o que tinha a dar. Ou de deixarem por dois dias o emprego que os está a consumir de insatisfação.
Hoje, dou-lhes a minha solidariedade. O sentimento de culpa é que deixo com eles, que escolhem todas as manhãs a própria a vida.
COMO DIRIA S.PAULO

Dizem-me os amigos que em Portugal não se pode pedir dinheiro por um bilhete de teatro. Que a malta está habituada a não pagar. Mais: que não é costume pagar-se. Que qualquer preço "é caro". No teatro "sério", leia-se. Pergunto a mim mesmo onde terá começado este porreirismo geral obrigatório e que frequentemente descamba em salas vazias e quase-súplicas para que vão ver o que tanto trabalho deu a montar...
Estarei "cego" ou não deveria todo o trabalho honesto ser compensado?

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(A CIBERNÉTICA)
Foto: António Jorge Gonçalves

15 de junho de 2005

A PRIMEIRA POESIA

Não gostava nada de poesia, na minha adolescência. Até a escola me obrigar a ler Eugénio de Andrade. E desse dia em diante comecei a anotar as coisas de maneira diferente. A leitura do mundo assumiu-se como uma possibilidade poética.
Hoje, por e-mail, recebo do Pen Club a lembrança de alguns dos seus versos que me apetece partilhar:

"Apenas um Corpo Respira.
Um corpo horizontal,tangível, respira.
Um corpo nu, divino,respira, ondula, infatigável.
Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinaçãodo peito e tremem,pesadas de desejo.
Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,um raio de sol,outro corpo.
Se encosto o ouvido à sua nudez,uma música sobe,ergue-se do sangue,prolonga outra música.
Um novo corpo nasce,nasce dessa música que não cessa,desse bosque rumoroso de luz,debaixo do meu corpo desvelado."
E.A.

11 de junho de 2005

BOTÃO VERMELHO

Calculo que já toda a gente conheça... Mas eu descobri-o agora.
Lol!
VOAR SEM MEDO (ou ÍCARO 2)

Num país em que toda a gente se acagaça com medo de falhar e ao mesmo tempo está sempre pronta a abater quem sonha com o prazer de levantar os pés do chão, aqui fica esta imagem.
E o endereço deste site. Talvez a generosidade faça caminho até eles, ao verem a quantidade de coisas inúteis que um dia fizeram sonhar os homens.

voar.gif

10 de junho de 2005

ÍCARO

Vou-me despachar com o que tenho para fazer e sair à rua. Há luz lá fora. E as pessoas são menos do que o costume na cidade em feriado. É altura dos jacarandás e da feira do livro.
Vou sair à rua para levedar o meu tempo.

9 de junho de 2005

ESTREIA

Esta noite, arranca a nossa peça. Vários meses de trabalho que se podem avistar por um tempo breve de 4a a Sábado. Só até ao final do mês.
Diz a superstição que o ensaio geral tem de correr mal para que a estreia funcione. Por esta lógica, hoje será uma desgraça, lol: os actores estiveram bem, quem assistiu gostou e a música e os vídeos entraram a horas.
Neste fim-de-semana em que quase toda a gente vai assar para as filas de trânsito, vamos lá ver quantos é que aceitam o desafio da contemporânea CIBERNÉTICA.
Mais informações, aqui.

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6 de junho de 2005

NÃO FUI À FEIRA

Parece mentira, mas por causa da peça ainda não coloquei os pés na subida da Feira do Livro. Para um viciado é um esforço razoável.
Chegam-me notícias de que está igual.
Com Homero e muita gente morta a falar.
Calha bem, que os que já cá não estão ainda são os mais interessantes.
O QUE O VIDRO NOS DEVOLVE

Hoje, no reflexo de uma montra, vi um tipo que seguia feliz para o seu trabalho. Não ia com os bolsos cheios de dinheiro, não tinha nada de seu, nem o futuro lhe estava assegurado até à reforma. E contudo, no reflexo, vi esta pessoa que não trocaria de destino por nada.

31 de maio de 2005

PRÉMIO FOTOGRAFIA

Daniel Skramesto ganhou um importante prémio internacional com o seu trabalho fotográfico. Além da escrita provocatória para o mini-burgo que nos abriga, ainda se atreve explícito.
Ai, Ai!... (Esquece o patrocínio do BCP...).
Ver aqui.
ps: almas homofóbicas, abstenham-se. Sugiro, eu...

27 de maio de 2005

A CIBERNÉTICA

Não há tempo para dormir nem para descansar. Mas ela vai nascendo...
De 9 a 30 de Junho espero que muitos caminhos vão dar ao Espaço Atmosferas/Casa Amarela, da rua da Boavista em Lisboa.
Só para os que acreditam na existência de peças que sejam cómicas, dramáticas, absurdas e emotivas... ao mesmo tempo, está a nascer A CIBERNÉTICA...
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25 de maio de 2005

A CONSPIRAÇÃO DOS SOBREIROS

O grupo (momento de persignação) Espírito Santo, gastou hoje 2 páginas do Público (com este dinheiro montava uma peça de teatro... - suspiro - ou pelo menos poderia pensar quanto custará subornar um funcionário da câmara para que nãose esforce tanto em impedir que se façam espectáculos não-subsidiados...- enfim, adiante...) para "provar a sua boa-fé". Adiante-se já, à laia de aviso, que o anúncio termina com alusão ao destino dos que se atreveram a cutucar a onça: "Pouparemos os seus nomes à irrisão pública que merecem, e confiaremos que os Tribunais, a quem serenamente os entregaremos, farão JUSTIÇA."
Gosto do "serenamente", que não via desde os tempos da Inquisição, onde todos os que chateavam a mona aos poderosos eram entregues "serenamente" à tortura e à morte. As maiúsculas de "JUSTIÇA", também têm o seu quê de poético.

Sobre o caso dos sobreiros "alentejanos", segundo Santana Lopes (na entrevista à RTP 1, manifestou sobre esta questão o seu amor à natureza e "ao Alentejo", que como se sabe, teria de se esticar para tocar em Benavente... Mas a ignorância deste burro-vestido (em sentido restricto) é tanta que nem vale a pena comentar...), lemos um grito de revolta. A mesma que foi sentida em 1975 quando se transformaram nas "vítimas de Abril", como agora é moda dizer-se.
Breve: a coisa terá sido toda útil, maravilhosa para a região e o que são 3000 sobreiros (o previsto) no meio de uma mata com 35000?
Fiquemo-nos apenas com este naco de prosa:
"O projecto PORTUCALE envolve a criação de pelo menos 400 novos empregos. A área de implantação do projecto, anteriormente, dava trabalho a um pastor e um cão durante seis meses por ano e a meia-dúzia de corticeiros de 9 em 9 anos". Para quem não saiba... a cortiça é retirada ALTERNADAMENTE em espaços temporais entre 7 a 9 anos. Ou seja, para 35000 sobreiros seria qualquer coisa como retirar a cortiça a cerca de 5 mil sobreiros por ano. O que era capaz de dar trabalho a um pouco mais de 6 pessoas, todos os anos... Digo eu, contas por alto...

"A água necessária para regar os golfes já instalados daria(...) para regar um campo de milho de 30 hectares (...) A receita de um campo de milho dessa dimensão poderá ser no máximo de 40.000 euros por ano, gerando cerca de 0, 5 (????) empregos ano. Estes valores comparam com uma receita mínima de 600.000 euros/ano na exploração do golfe e com a criação de centenas de empregos permanentes directos e indirectos".
Eu por mim, fiquei convencido. Mais: se houve gente do PP a mexer cordelinhos para que projectos tão altruístas fossem aprovados, Deus e o Papa os protejam. Que se lixe a ecologia e a lei... ora a lei... Que se abata serenamente!

22 de maio de 2005

FUTEBOL

1. Mesmo quem não liga nada à coisa consegue perceber que Portugal só tem um clube verdadeiramente nacional. De Lisboa para cima e para baixo; de Portugal a África e ao resto do mundo, esta foi a noite do SLB!SLB!

2. Julgo que foi desmentida a notícia de que Pinto da Costa teria oferecido milhares de contos aos jogadores do Boavista, além de toda a espécie de facilidades futuras, caso ganhassem ao acima referido. Ainda bem que era mentira. Mesmo sabendo o que actualmente se poupa em árbitros estou certo que a prioridade do clube azul é pagar os impostos em dívida. Os milhões de contos em dívida. Só espero que os campeões e os restantes parceiros também se lembrem que a essência do dinheiro é circular nos dois sentidos. Por exemplo, das transacções de jogadores para o erário público.

3. Este é um país actualmente incapaz de produzir seja o que fôr de útil, nem que seja um pensamento. Mas a indústria de cachecóis e cervejas vai de vento em pôpa...

20 de maio de 2005

NÃO TE MEXAS!
Há uns tempos atrás, um ex-aluno meu contava-me que no munda da publicidade só sobrevivia quem se mantivesse invisível. Dentro de uma empresa, claro. Ocupando uma função menos remunerada, claro. Elogiar as brilhantes ideias também ajudaria, mas ao menos que se não levantassem ondas.
Julgo que o mesmo conceito se aplica à maior parte da sociedade portuguesa. Ninguém se lembre de fazer nada. Muito menos de galvanizar energias em torno de um projecto. De imediato se levantará a entourage para o sufocar; para lhe dificultar a vida; para o denegrir contra toda a evidência.
Fala-se muito em inveja. É verdade. Mas é mais mesquinhez; voo rasante sobre o charco; deleitar nos próprios odores.
As entidades oficiais partilham deste sentimento, cobrindo-se de regulamentos e papéis capazes de retirar o ânimo a Aquiles. Cobardes, são incapazes de manter em ordem a casa de todos, mas mordem com cegueira quando o cidadão cumpridor se apresenta para fazer o que deve.
Este é um país com um cancro de mediocridade espalhado pelo corpo todo. Tresanda nas trevas em que mergulhou já ninguém se lembra quando.
Não, não somos todos preguiçosos, invejosos, maldizentes sem razão. E por mais que tentem nivelar-nos a todos por baixo, ainda assim, alguns vão continuar a criar, a lutar pela justiça, a proteger os mais fracos.
Porque o lodo não pode durar para sempre. Não pode.
IN NOMINE...

Para que de uma vez por todas se perceba que o meu nome não é um delírio contemporâneo e muito menos (sorry tias-louras) um desagrado oitocentista, dê-se aqui uma olhadela ;)

17 de maio de 2005

UM TERÇO DO SALÁRIO PARA O DOBRO DO PREÇO

Os italianos devem ser muito despegados do dinheiro. Só assim se explica que nos mercados as laranjas custassem50 cts o quilo, e os vegetais fossem todos corridos na casa de 1 euro ou menos.
Nós não. Damos mais importância à fruta. Por isso, com ordenados inferiores tabelamos tudo, pelo menos para o dobro.
LISBOA MORTA

O português odeia que lhe peçam responsabilidades. Está feito, está feito. Correu mal? Azarinho!!E toca a andar, meu amigo...
Desde há mais de um ano que somos obrigados a andar com o cartão LISBOA VIVA, no Metro e nos autocarros. Enconsta-se a coisa à máquina e as portas abrem-se ou somos brindados com uma luz de esperança. O meu, resolveu avariar-se. As portas deixaram de se abrir e da luz, nem sinal.
Resolvi ir a uma estação de metro pedir substituição. Erro meu. "Isso tem de ir ter com quem lhe vendeu... Ai foi a Carris??? Ah, então isso é com eles., "Mas experimente a ir ao sítio onde lhe fizeram o passe...". Na ocorrência era no Marquês de Pombal. Que não podiam fazer nada, que fosse até um dos postos oficiais da Carris. "Mas tenho de ir de Metro, até lá, como é que faço?". Que pedisse na bilheteira uma coisa que me abrisse temporariamente as portas. E lá fui pedir. Mas a senhora estava mal disposta e resolveu chamar-me mentiroso, que ninguém me teria dito nada disso, pegou no telefone e confirmou que a delirante era ela, mas que me haveria de dar o mínimo " e por favor". Foram-me abrir a porta do metro, mas sempre discursando que não tinham responsabilidade nenhuma no processo; que vendiam e recebiam parte do dinheiro, mas que responsabilidade era sempre com a outra parte, no caso das coisas correrem mal.
Saí no Rossio, esperei na fila, um velho atendeu-me. Que queria? O passe avariado? Ia-se ver. Precisa de uma fotografia que é para ir tudo para Santo Amaro. Mas eles já têm a minha foto digitalizada... "Mau! Se ele dizia que tinha de ser mais uma fotografia...". E pensando melhor... Devia era apanhar o eléctrico 15 (sem poder usar o passe, claro) e ir eu próprio até Santo Amaro (que fica entre o cu de Judas e Nossa Senhora do Nunca Mais lá Chego). Fui-me embora. Quando descansar, vou tentar de novo.

16 de maio de 2005

ITÁLIA

Portugal como tema do festival literário PASSPARTOUT, de Asti. Vários escritores portugueses por ali passaram, dando uma panorâmica da literatura portuguesa actual aos italianos.
Pessoa musicado e cantado sob abóbadas centenárias e casas cheias para ouvir falar de livros estrangeiros.
Mais ou menos o que acontece por cá...

12 de maio de 2005

MENS SANA IN CORPORE ENREDATUS

Comecei há pouco no yoga.
Deve ser por isso que ainda tenho o dia de hoje todo enrodilhado no corpo...

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COMENTADOR FUTURISTA

O pobre do Luís Delgado lá estava, na Sic Notícias, a dizer com ar aflito "que achava estranho que o Ministério Público andasse a investigar as decisões tomadas pelo anterior governo, aquando da dissolução da A. R.". Que não seria costume. Uma mania inesperada...
Tive pena do seu ar de passarinho desasado... Por momentos até me esqueci que os milhares de contos que leva para casa por mês se devem a uma certa... proximidade com a coisa ida.
Ele que não fique aflito com tanta investigação ao poder económico. Primeiro, porque não dará em nada. Os polícias estão só a demonstrar trabalho, mas os juizes não são malucos para se irem meter com quem lhes pode fazer a carreira difícil. E depois... ainda ninguém mencionou o grupo PT.
Por enquanto, é claro.

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11 de maio de 2005

RETRATO DE UM HOMEM SÉRIO

Estou a precisar de ganhar dinheiro. Acho que me vou inscrever no CDS-PP. Ponho o ar mais honesto e severo deste mundo, grito contra as mulheres que fazem abortos em vez de encherem periodicamente o bucho e arranjo um tacho num ministério qualquer.
Ah: e mando abater sobreiros para que o Espírito Santo se mostre agradecido.